Da janela – poema de Clarice Villac, aquarela de Alexandre Zilahi

skateCla_Alexandre_Zilahi

da janela

 

no meio da tarde
de quinta-feira
– num flash –
– no vento –
de bermuda florida, boné, camiseta escura
desce a rua
cantando e deslizando
de skate
uma alma livre !

 

Clarice Villac
31.08.2017

aquarela de Alexandre Zilahi

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Para conhecer mais aquarelas & desenhos de Alexandre Zilahi :
Alexandre Zilahi Aquarelas

Para conhecer as outras artes de Alexandre Zilahi:
http://www.zilahi.com.br

no Youtube:
http://www.youtube.com/user/zilahi55

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Sugestão de leitura :

De “carrinho” pela cidade , de Giancarlo Marques Carraro Machado.
São Paulo : Editora Intermeios :

http://www.intermeioscultural.com.br/skate

 

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Aquarelas & Haimi – crônica de Clarice Villac, aquarelas de Alexandre Zilahi

Marisa Monte_Alexandre_Zilahi

Marisa Monte

Aquarelas & Haimi

 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Clarice Villac
                                      – para o amigo Alexandre Zilahi

Aquarelas trazem em si, além da imensa delicadeza, o imponderável sugerido pelo quase visível movimento das tintas ao se fixarem no papel…
Têm um quê de cavalos livres galopando à vontade…

Kali_Théo e Gita Lee - Estudo Aquarela_Alexandre_Zilahi

Kali, Théo e Gita Lee

Um bicho, ah, terá sua alma senciente ali a nos mirar, em flashes !

Uma paisagem, aquarelada, será um trecho imaginário a sobrevoar sua base material… e ainda assim, despertará emoções…

Avenida São João - 1968 _Alexandre Zilahi

Avenida São João, 1968.

Quando o artista representa com suas aquarelas pessoas que são músicas, poetas, cineastas; e nos apresenta uma delas, se dá o encontro, em outra volta do caracol evolutivo…

Luiz Melodia_Alexandre_Zilahi

Luiz Melodia

É como se tirássemos da estante um livro de estimação, motivados pelo cotidiano que nos lembra determinado poema, e ao mostrarmos para um amigo, se dá a comunicação mais plena, que além de nos aproximar do outro, nos proporciona o enxergar da caminhada que percorremos desde a última vez que nos detivemos a ler e sentir aquele poema… percebemos as rotas, as voltas da vida…

Hermeto Paschoal_Alexandre Zilahi

Hermeto Paschoal

E, algumas vezes, é possível viver a riqueza desta experiência: a gente faz o poema, ele tem uma história até ser escrito; e daí, vem o artista e enxerga, cria uma imagem para ele que é como se materializasse o filme num ponto inusitado, que acrescenta infinitas perspectivas !
Que se multiplicarão em cada um que ler, enxergar, sentir, interpretar !

Miles Davis_Alexandre Zilahi

Miles Davis

Existe, na arte de criar haicais, a busca pelo “haimi”.
Muito se explica sobre ele, mas é quase indizível seu significado. Talvez seja algo como um encantamento que transcende a compreensão cartesiana, objetiva; que traz frescor, multilateralidades…
E as aquarelas que nos atraem, imagino que seja por despertarem em nós esse sentido de haimi.
Um haimi que se sutiliza e ao mesmo tempo se personaliza através de seu autor, o artista que aquarela com sua antena particular, única, intransferível.
Se a mais recente turnê dos Stones chama-se No Filter Tour, talvez sugerindo mais autenticidade neste nosso mundo que recém-criou o vocábulo pós-verdade; as aquarelas de Alexandre Zilahi trazem a inconfundível beleza de seu filtro pessoal, e esta é sua riqueza.

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Para saber mais sobre “haimi“:
http://www.kakinet.com/caqui/desmandamentos.shtml

Para conhecer mais aquarelas & desenhos de Alexandre Zilahi :
Alexandre Zilahi Aquarelas

Para conhecer as outras artes de Alexandre Zilahi:
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Hard Times – poema de Clarice Villac, referência a Vapor Barato de Jards Macalé e Waly Salomão

detalhe_clarice_villac_indo_dez.2012

Hard times

sexta-feira
quase escura –
no lusco-fusco
tudo se mistura

E, sem mais essa nem aquela,
vem a vida e me empurra
novamente pro centro da cidade
E, infalível como paixão antiga
reversa,
vem à tona
minha absoluta incompatibilidade
com a normose urbana
neurose cinzenta
ranger de freios dentro da sala
janelas abertas pra desarmonia
agonia que se perpetua
nos passantes e moradores da rua
Mas, o que mais me surpreende
é que eles parecem não se dar conta
e sinto vontade, a todo momento,
de lhes perguntar
– sobretudo no elevador –
como conseguem conviver com tanta dor…

E, tentando encontrar
um pouco de equilíbrio,
ao andar pelas esquinas,
o que me vem,
lá do fundo,
é a velha intensa canção…*

“Assim, eu estou tão cansada
mas não pra dizer
que não acredito mais em você…
Com minhas calças vermelhas
meu casaco de estrelas,
cheia de anéis
Vou descendo
por todas as ruas
e vou tomar aquele velho navio…
Eu não preciso de muito dinheiro,
e não me importa,
baby, ô minha hare baby…”*

 

Clarice Villac
11.08.2017/14-15.09.2017

imagem : dez. 2012 – indo

*Vapor Barato” – composição de Jards Macalé e Waly Salomão.

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“Movimento dos barcos, movimento…” – poema de Clarice Villac, imagem de Vincenzo Cencin, referência a Jards Macalé

vincenzo cencin- 1925-2010

“Movimento dos barcos, movimento…”

Quando as dificuldades são muito grandes
às vezes transbordam
os limites
gestados por antigos, arraigados preconceitos cotidianos…
E, com sorte,
é possível transpor esse estágio
graças aos esforços
e à força de corações
muitas vezes antes subestimados,
quando os sujeitos que os contêm
eram olhados
somente através das lentes
dos tais preconceitos…
Que viam apenas as cascas,
as castas, as formas…
“Movimento dos barcos, movimento…”*

 

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poema de Clarice Villac
08.09.217

* Verso de Jards Macalé, in: Movimento dos Barcos
https://www.letras.mus.br/jards-macale/481514/

 

imagem : Vincenzo Cencin – 1925-2010

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Às Margens do Igarapé – (a Lenda do Boto) – poema de Clarice Villac, aquarela de Alexandre Zilahi

boto_Alexandre_Zilahi

Às margens do igarapé

Foi numa noite de festa
que seus olhos se cruzaram
quando a Lua ia alta
a dançar se aproximaram.
Ele, alegre e bem gentil
Ela, riso juvenil
e logo se apaixonaram.

Brincaram a noite inteira,
ela de saia florida,
ele com seu chapéu branco.
Com ternura desmedida,
abraços e cafuné
perto do igarapé
até esquecer da vida…

Antes do amanhecer
revela-se o ignoto
segredo particular:
pula nas águas o boto.
Mas sempre retornará
e de novo a amará –
ficou o amor em broto!

…………

poema de Clarice Villac

Aquarela de Alexandre Zilahi

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Dialética – Clarice Villac

yin-yang_wild horses

Dialética

do fundo do inverno
às 5 e pouco da matina
desanda o sabiá a cantar
– surpresa
e a lembrança:
a primavera voltará !

… e do yin
vai aparecendo o yang…

.

Clarice Villac
25.07.2017
(imagem encontrada na internet
– título possível : Yin-Yang Wild Horses)

 

https://youtu.be/SQTHB4jM-KQ
The Rolling Stones – Wild Horses (Acoustic / Lyric Video)
 

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Arrelia – aquarela de Alexandre Zilahi, poema de Clarice Villac

Arrelia_aquarela_Alexandre_Zilahi

A rrelia & Pimentinha

R isos espontâneos da criançada

R elembro com alegria !

E trago como reserva afetiva interior,

L eveza simples de nossa infância

I lumina sempre e nos impulsiona

A vivermos criando, com Arte, um mundo melhor.

– Clarice Villac, 01.07.2017.

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Arrelia (Waldemar Seyssel: *1905, +2005).

“Grande palhaço brasileiro, de uma família circense francesa.
Mesmo quando saía pelas ruas, à paisana, nós, as crianças, corríamos atrás dele pois sabíamos que sempre trazia balas Paulistinha nos bolsos do paletó e então formava-se uma fila para que todos pudessem brincar de “Como vai?”.
Sempre muito gentil, delicado e engraçado. Muita saudade.”

Alexandre Zilahi.

Alexandre Zilahi: Estudo feito com aquarela escolar infantil, sobre papel opaline 180g.

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Para ouvir o Como vai vai vai? :

 

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Aquarela de Alexandre Zilahi

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