Surreal, sempre! – poema e foto por Clarice Villac

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Surreal, sempre!

Lua Nova
de Capricórnio
em toda sua materialidade,
não me convence:
Sigo acreditando,
vejo se formando
no firmamento
um bando
de Unicórnios!

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Clarice Villac
poema: 05.01.2019
foto: XXI Exposição Nacional de Orquídeas de Campinas,
ACO, Associação Campineira de Orquidófilos, novembro 2018.

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.

 

(Unicórnio, imagem encontrada na internet, autoria desconhecida.)

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Porque o amor é bambu – crônica de Nic Cardeal; fotos de Clarice Villac

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Porque o amor é bambu

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Nic Cardeal

Andei pensando sobre os anos que se desenrolam sobre as nossas cabeças… ano a ano… como se tivessem prazo de validade a expirar no toque de cada 31 de dezembro, a toque de caixa…

Seria possível esticarmos um ano para além da validade de dezembro, como fazemos com certos alimentos que compramos, e esquecemos guardados durante meses no fundo da despensa, e de repente lembramos: ‘ – ah… passou um mês, não tem nada não… dá pra aproveitar mais um pouquinho…’? Ou ainda, como fazemos com a roupa velha, tão gasta, puída, mas que tanto gostamos e não largamos, e vamos usando, lavando, remendando, tapando buracos, até que ela – a roupa – vestida de cansaço, desiste, entregando-se à sua ‘próxima vida’ como pano de chão?

Possível fosse e eu voltaria no tempo, para bem antes do tempo, lá longe naqueles tempos idos, onde o tempo seria um senhor tão moço, esguio e comprido, a fazer alegrias sem pressa, demorando eternidades nas façanhas de semear esperanças nos quintais por trás das nossas casas de varandas rodeadas… Tão duradouro seria esse tempo tão moço que nem embranqueceriam seus cabelos castanhos, envolvidos em tenras raízes de terras muito férteis de amor…

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Ah… mas, e a validade desse ano que quase expira, a amontoar-se em horas e dias derradeiros, de levar consigo todo aquele interminável carregamento de esperanças que outrora colhemos e já estávamos a desfrutar de alguns frutos ainda miúdos de paraísos?… tudo perdido?… todos perdidos?

Ah… há que haver algum lugar (ou não-lugar) onde tenhamos reservas escondidas de novas esperanças não vencidas, com as quais possamos obter fôlego de renovar meios de caminhar pela vida sem tantos tropeços a altos preços…

Andei querendo até sonhar outros sonhos de não acordar para o pesadelo que está batendo à porta do ano prestes a se desenrolar… como se fosse possível ainda sonhar….

Cá estou eu sentada, bem na varanda da minha alma tão cansada, esperando um tempo fora desse tempo e lugar… Não, não quero deitar… Na vitrola ‘vintage’ e vermelha que ganhei n’outro tempo de algum lugar, ouço a velha canção a me avisar: “– the dream is over…”

Mas eu nego. Renego. Não me entrego. Resisto: meu prazo de validade ‘inda não terminou! Sou daquelas moças antigas que envelhecem, mas por ora resistem e não quebram, porque a palavra é minha espinha dorsal, costurada no alento doce do meu amor – e o amor é bambu – balança ao evento dos ventos, mas resiste – bem por isso é amor!

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12.12.2018
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2206720049338861&set=a.656063237737891&type=3&theater

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Imagens: bambuzal em Joaquim Egídio, SP; fotos por Clarice Villac, novembro 2017.

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por mais simples… – Clarice Villac

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por mais simples

que possa parecer,

em seus deslimites,

é irrepetível.

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Clarice Villac,
foto e poema, nov./dez. 2108.

XXI Exposição Nacional de Orquídeas de Campinas,
ACO, Associação Campineira de Orquidófilos.

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Conte comigo – poema de Müller Barone; haiquase de Clarice Villac

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                               ah, perdi as contas
                               das infinitas lembranças
                               flutuando tontas…                                          

Conte comigo

Que bom que estamos aqui,
nessas idades cheias de tempos,
ou nesses tempos cheios de idades
e ainda somos capazes de viver
e sentir como nos tempos
em que os tempos não tinham todas essas idades,
nem elas tanto deles.
Bom ver que o coração palpita,
bom ouvir.
Adoro saber que estou apto a repetir
aqueles tempos de calçadas e desabafos
entre amigos de amores,
perdidos ou não.
Beijo.


haiquase de Clarice Villac,

poema de Müller Barone,
setembro 2018.

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Mais Artes de Müller Barone :

https://www.facebook.com/MullerBaroneFotos/timeline

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O amor é uma droga pesada – Maria Rita Kehl

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O amor é uma droga pesada

                                        – Maria Rita Kehl


Como se eu fosse velha muito velha
pela milésima vez correndo essas estradas
aqui barranco de terra vermelha ali capim-gordura
incendiado ao sol
a casa pobre bucólica só de longe
o gado magro o arame farpado o vira-lata caipira
e eu mulher muito velha
voltando mais uma vez da viagem sem esferas
com minha inútil bagagem de antigos registros
sentimentais
brasileiros.

o amor é uma droga pesada
perde-se a exata dimensão da vida e
o retorno é lento, cheio de falsas visões
cold turkey
me quero de volta e que esses matos voltem a fazer
sentido
sinto falta do mundo sintetizado em sua ordem nos
meus
pensamentos
não esse oco reverberando
mandalas nos ossos do crânio
não a dissolução de todas as certezas
o mundo apenas sua representação
me contendo me dizendo
a que pertenço afinal
o amor é uma droga pesada
e eu uma velhíssima mulher
gozando pela milésima vez a viagem infernal.

Time Waits For No One
The Rolling Stones

imagem: mandala por Clarice Villac

http://csbh.fpabramo.org.br/artigos-e-boletins/arquivo/socialismo-em-discussao/maria-rita-kehl

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Vertigem – microconto de Clarice Villac

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Vertigem

 

“Se cair, do chão não passa.”

Sempre acreditou no ditado, mas nestes tempos de pós-verdade, vive à beira do abismo.

 

Clarice Villac
08.05.2017.

* * * * * * * * * * * *

Escrevi este microconto no ano passado, e enviei para participar do 7º Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba, mas ele não foi selecionado para participar da Antologia, que conta sempre com 100 microcontos.

Nele expresso meu espanto pela dicionarização da palavra “pós-verdade”, que foi escolhida em 2016 como “a palavra do ano” pelos dicionários Oxford.
É com imensa tristeza e consternação que constato hoje, outubro 2018, esta prática da “pós-verdade” se insinuar em todos os cantos, sem pudor; e lateja essa vertigem…
É tempo de investigarmos os princípios, a integridade, o caráter, exercermos a lucidez crítica & sensível com urgência, para tudo!
O futuro da harmonia, da liberdade, da biodiversidade e do planeta dependem disto!

Tão simples compreender isso, como passar todos os dias ao lado de uma plantação de goiabas que recebe doses maciças de agrotóxico, cujas nuvens sufocam e nauseiam, e acompanhar os tristes relatos de incidência crescente de casos de câncer nas famílias dos agricultores e residentes próximos… Vivi, presenciei esta tragédia quando lecionava num bairro rural em Valinhos, São Paulo!

Mas, o que têm agrotóxicos, câncer, agricultura familiar e agroecologia a ver com pós-verdade?
Busque se informar, meu amigo, conheça as propostas e projetos dos candidatos a governar nosso país!

https://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/16/internacional/1479308638_931299.html

https://www.oeco.org.br/blogs/salada-verde/servidores-do-ibama-e-icmbio-se-manifestam-contra-extincao-do-mma/

http://midianinja.org/

https://www.facebook.com/MidiaNINJA/

https://www.instagram.com/midianinja/

#Haddad #Haddad2018 #HaddadEManu #HaddadPresidente #EleNão

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Hocus Pocus – Clarice Villac

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☆ Hocus Pocus ☆

E a criança lhe diz:
Ah, vá, me conta uma história!
E você se surpreende…
Revira toda a memória…
Onde está meu faz-de-conta?…
Num flash, o criar desponta
o “Era uma vez” em glória!
.

Clarice Villac
21.08.2018

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